Olho para as mãos de Isaías. Vejo a minha vida correndo solta quando não tenho onde fixar o olhar gatuno, irremediavelmente sou alvo de todos os tiros, de todos os tipos, de todos os olhares que intimidam, da religiosidade impressa a ferro na infância interiorana - o pecado de ser livre grita pela boca de Deus - e minha vulnerabilidade expõe-se de modo a me tentar o suicídio. Olho para os pêlos da mão penteados pela própria natureza humana como o são no peito e mais para cima e mais para baixo. As veias gordinhas me causam um riso perdido no canto da boca. É tanta a felicidade que me surpreendo a devotar um dia e mais que ele, a vida, a quem não me deu a vida, a quem não me pôs de pé, a quem não me pôs no palco. Dou mesmo e doa a mim e a quem doer. Casar nunca esteve nos meus planos nem morar junto com ninguém. Mas deixo Isaías dormir porque ainda são horas e porque depois que o amor acontece, o amor fica vulnerável escutando os passos da solidão. Para o café, ovos mexidos com bacon e cebola, pão de alho, pão, chá, café preto.