Eu te invejo. Em um de seus filmes, Brigite Bardot cruza as pernas e ninguém dá importância a isto. Mas você cruza as pernas e cada homem nos vinte metros mais próximos sente uma leve fisgada no pescoço. Te invejo, sabia? Tenho a sensação que os paralelepípedos e as calçadas tremem sob seus pés calçados de salto quinze, agulha e sua meia três quartos, tenho ganas de arrancá-la com os dentes como certamente o faz teu homem. Teus homens. Dulce, invejo tudo em você. Invejo os teus seios que apontam os caminhos que você quer que os homens caminhem, a concha incrustada no meio de tuas pernas capaz de produzir pérolas para enfeitar o mundo, invejo a bolsa que enfeita o teu ombro e as quantas coisas você guarda nela: Lapiseiras, rímel, pó, grãos de mostarda para hipnotizar quem você quer à hora desejada. Invejo o feitiço que emana de você e ateia fogo ao meio das pernas dos homens da rua, de ruas, de casas, casados ou solteiros, de meia idade ou garotões de vinte anos. Todo homem quer te levar pra cama, Dulce. Todo homem quer levar uma mulher pra cama. Dulce, você é incrível. Você deve ser incrível. Invejo tua boca, a saliva quente e cheirosa, os lábios macios e doces quando se quer e salgados quando se quer. Invejo teu quadril largo, tua cintura estreita, teu cabelo que desce feito cascata, feito cachoeira nos rochedos do Norte. Invejo até o vaso sanitário do teu banheiro, Dulce, se você quer saber. Quando você fala meu corpo fica mole e meus ouvidos fantasiam escutar palavras de baixo escalão em qualquer madrugada que você queira estar comigo a sós. Dulce, me deixa ser mulher, me deixa ser você. Ou estar em você.