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7.
Paulinho tem uma câmera e fez uma porção de filmes curtos, sem edição.
- Aqui penso em colocar uma música da Björk!
Liga o som. Deita no sofá e fecha os olhos. Reclama de cansaço e do trabalho. Pergunta se quero dormir lá.
De repente acaba um bolero e começa um rock:
- Adoro isso!
"E nossa história não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz.
Teremos coisas bonitas pra contar."
- Metal contra as nuvens!
Ele tira as sandálias e diz que aprendeu dança de salão, uns passinhos apenas. Quer saber se eu quero aprender. Fico calado e sinto um pouquinho de medo dele.
- Você me leva em casa?
8.
Paulinho cheira a qualquer fruta cítrica misturada com alguma bebida alcóolica, suor e flor de maracujá. Senti tudo isso.
Sua mão apertou firme.
Seu bafo ventou no meu rosto quando nossas barrigas se chocaram: guaraná com chocolate branco.
- Sou sua dama!
Simples, os primeiros passos da gafieira.
Mas sou péssimo dançarino e tive vontade de me atirar no sofá em tom de desistência.
Paulinho é paciente, ficamos num mesmo vaivém quase dez minutos.
- Gostoso, né?
Ele diz que se dança de sapato e começa a explicar a origem da gafieira. A música acaba e continuamos. Ele cantarola para não sair do ritmo.
- Eu acho Bete Carvalho... sabe?...
- Tem vodca?
Eu vi bebidas a uns passos do sofá. Bebemos vinho. Mas eu insisti na vodca.
9.
(Tenho um pouco (leia-se muita) de vergonha de falar o que falei, o que fiz, o que houve, então... Bem, eu estava bêbado.)
10.
Malu me telefonou noite passada. Eu estava à toa, folheando uma revista que tem Bruna Lombardi na capa, mas disse que estava ocupado. Há um mês Paulinho esteve aqui. Saudades - ela disse, soltou longo suspiro. Colei a mão no fone e suspirei junto. Ele tem me telefonado, disse que você nunca atende: O que houve?
- Malu, vamos sair. Tomar uma vodca?
Escrito por Luis às 19h51
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