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ENTRE DUAS E CINCO HORAS DA MANHÃ
Abro a porta e a rua me lança um olhar de mistério, de intriga, espero que você entre, que você chegue, que venha de qualquer lugar e se jogue no sofá e se diga cansado e não me chame de amiga, desça o zíper, me aperte a cabeça, me embaralhe, fale palavrões e me arraste até a cama. Sonho que você não sabe tratar uma dama, que é noite muita alta, lua nova, teu pau em riste, rude, rosa e tua boca a me chupar o sal, o seio, o sangue em disparada, em confusão, em ebulição. A porta se abre quando a abro, eu sinto minhas pernas quando as pego e aperto e lembro você. Tem um ruído que me incomoda e me atiça os desejos mais íntimos, na casa ao lado. Aumento o volume e entendo pela primeira vez desta vez o que Caetano quer dizer. Faço uns riscos numa cópia de um conto de Márcia Denser e procuro algo forte para beber. Eu quero galinhas no terreiro e um galo jovem de crista muito vermelha. Tua voz me canta palavras pornográficas e eu fecho os olhos de saudade, arrebenta meu peito um nome que começa com agá, então volta tua voz... macia e infantil, sei lá e me convida para uma taça de vinho, uma cerveja quente ou uma xícara de chá.
Escrito por Luis às 23h18
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