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Brazil
Gabrielzinho entrou em casa correndo, foi direto para o quarto. Juliana, sua mãe, foi ter com ele depois de gritar-lhe o nome várias vezes sem resposta. Ele estava triste, olhos cheios d'água. Ela o abraçou, beijou e quis saber o que aconteceu. Ele relutou, mas disse. Um coleguinha, no recreio, gritou na presença de todos os outros: cabelo ruim! E o riso foi geral. O menino tremia de humilhação, petrificado diante do terceiro ano primário em ciranda a debochar-lhe os cabelos crespos. A professora chegou e desfez a roda, a algazarra, os nós do laço que prendia Gabrielzinho ao chão. Ele saiu em disparada carreira no rumo de casa.
- Mãe, se eu rapar a cabeça nasce um cabelo bom?
“Sou uma menina marginal. As boazinhas dobram o joelho. Eu não. Canto com todo o corpo, com o útero, quase chego ao orgasmo.”
Elza Soares
Escrito por Luis às 16h04
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