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Os braços de Marcelo
Sobre a mesa uma casa pequenina
feita com pedras coloridas e um menino
- em preto e em branco - à janela
esperando a vida passar.
Mais: à espera do passado que não sabe seguir.
Sem vontade alguma de permanecer,
o menino que Mãe criou imita Peter Pan
e ao pé da janela olha as árvores de João Pessoa
que continuam as mesmas, frondosas,
umas esmeraldas demais.
Frágil como menina criada com minos e vontades,
o menino usa camisa de homem
parecendo um maluquinho.
As crianças assassinas têm pais.
A visita que fiz ao presídio durante a Páscoa
não me comoveu nem me enraiveceu.
Ainda é possível acreditar na paz.
O homem mais gordo
e o homem mais forte nunca se viram,
mas lêem a Bíblia
e choraram
porque os filhos lhe trouxeram desenhos
com a família toda reunida num passeio.
A verdade é que a infância é um passeio,
o mais agradável,
o mais divertido
e o mais inesquecível.
Foi assim também para Maria, Rodolfo, Sérgio.
Até mesmo para Anne Frank.
Escrito por Luis às 08h51
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