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Os destinos de
Matthew Shepard e Elton John
Meu pai ficou chateado comigo (minha avó que falou) porque eu prometi que ia ensinar meu irmão a dirigir neste fim de semana e acabei indo acampar com os meninos da faculdade. Rodrigo ficou triste. Só agora entendi porque meu pai não falou comigo o dia todo, nem uma palavra sequer. Well. Estou escrevendo numa tarde de muito calor, poderia entrar num banheiro e ficar debaixo do chuveiro até o sol se pôr. Idéia ótima esta. Pai, sabe o que é. Bateu uma vontade filha da puta agora de chocotone com sorvete de creme. Ando cansado e com a auto-estima no saco (alguém quer dar um pontapé nela pra mim? pode beijar, se quiser, baby). Quero e não quero desligar o rádio, não é a quinta nem a décima nona vez que ouço Vapor Barato (a gravação de 1972 - Fa-tal - A todo vapor, 8min37s). Uma punheta sem fim. Sou eu, porra! Pai, escuta. É que. Hedda Gabler me decepcionou, esta montagem que eu vi no Sesc. Tenho que ler Hécuba (ai, que preguiça!). Leonardo dormiu quase no mesmo saco que eu. Parece que as estrelas me olhavam e diziam: Sociedade. Os outros. Saco! Pai, veja bem. Prefiro Gal anos 70, Elba anos 80. Ensinar a dirigir não tem a mesma liberdade que guiar sozinho, estar sozinho, ser deixado sozinho quando se quer. Leonardo tem 25 anos. Esse vinil velho vai furar - minha avó é uma flor; na maior parte das vezes. Velhos! 25 anos. Ano que vem faço 27. Como será completar 30 anos. Falta pouco. Jesus! Leonardo viu Minha adorável lavanderia. Viu mais de uma vez. Eu vi As Horas 22 vezes seguidas. Ele não ronca. Rodrigo, velho, não ficar assim não. Domingo tá aí, pô. Cê aprende rápido. Leonardo. O que minha avó diria? Ela adora os meus discos, não tanto quanto eu, mas adora. Leonardo tem um dente torto, mal se avista. Pai, acontece o seguinte comigo. Adoro o refrão: Baby! Ofegante, suado, rouco, rascante gozo. Às vezes preciso rir na dor, senão enlouqueço. Igual a todos. Ó sim.
Escrito por Luis às 19h02
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