Luís Antônio
  

 

(para quem não viu O diabo veste prada, Sob o domínio do mal, Angels in America, Adaptação, Música do coração, A dança das paixões, As filhas de Marvin, Antes e depois, As pontes de Madison, A casa dos espíritos, A morte lhe cai bem, Entre dois amores, A escolha de Sofia, A mulher do tenente francês, Kramer versus kramer e (meu predileto) As horas.)

 

Amor, ordem e progresso

Bolos de caco sobre a mesa do jantar, leite,

uma canção falando de olhos amendoados,

uma dona de casa jurando verdades secretas,

um militar entrando e quebrando sem pedir licença.

A casa que abriga o são abriga também o doente.

Saio muito pouco de casa por medo de flashs,

a última fotografia foi ao lado dos convidados

para a festa de aniversário de uma namorada

que nunca amei porque nunca me amaram.

Às vezes esperamos ao invés de nos esquecermos.

Gritou comigo como se eu fosse um criado seu,

um escravo, negro com grilhões de prata, submisso,

moça virgem que se deixa estuprar para não morrer,

remetendo-me aos primeiros anos da minha vida.

As lembranças mais tristes são mais difíceis de apagar.

Aos dez anos compus uma canção,

o amor não correspondido chegou muito cedo,

o amor do soldado por mim resultou em pilhéria,

o amor pela nacionalidade virou cinzas de bandeira.

É manhã sempre para quem deseja o café da manhã.

Como se houvesse um dedo a mais em cada pé

caminho torto e pesado, como porcos de barriga cheia,

numa dança que entende quem sabe olhar

porque cego não é apenas quem não pode ver.

Beleza não é estética, é interior, é alma, é sentimento.



Escrito por Luis às 11h26
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Com os indicadores espremi a espinha ainda verde,

uma parte do rosto ficou horrivelmente vermelha,

uma parte da Floresta Amazônica é vermelha,

uma parte do coração do homem não tem cor.

A fumaça vem de baixo, depois há brumas no mundo.

Os desenhos que hoje preencho com pincel e tinta

não tem os contornos tão intensos de quando, inocente,

eu fazia casas com jardim no centro da sala,

enquanto minha mãe recebia namorados no quarto de hóspedes.

São meus filhos também, os filhos de Deus.

Tanto cuidado teve minha tia com suas filhas,

cabelos tão longos e bonitos, cheios de cachos,

anelando anelares grossos como troncos de árvores,

regando a lágrimas e gotas de suor um coração de mulher.

Viver é morrer em parcelas ora suaves ora doridas.

Toni Morrison (que eu amo por A canção de Solomon, O olho mais azul, Amada e todos os outros que ainda não li). 



Escrito por Luis às 10h57
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